Elo com a verdade: Radiação ionizante nos exames de imagem

Radiação é a emissão e propagação de energia através do espaço ou meio material, podendo ser na sua forma de ondas (radiação eletromagnética) ou partículas (radiação corpuscular). Ela é classificada como ionizante e não ionizante, de acordo com sua capacidade de alterar a estrutura da matéria.

 

A radiação não ionizante apresenta baixa frequência e baixa energia: é aquela em forma de ondas, presente no nosso dia a dia, como a luz visível (vinda do sol ou de lâmpadas elétricas), micro-ondas, ondas de rádio, infravermelho, redes wi-fi, etc. O uso deste tipo de radiação, em geral, é seguro, pois não é capaz de alterar diretamente a estrutura dos átomos ou moléculas com que interage. Na medicina diagnóstica, são comuns as dúvidas com relação ao uso da radiação no equipamento de Ressonância Magnética. Este equipamento utiliza um forte campo magnético e, no seu processo de formação do sinal/imagem, são emitidos pulsos de radiofrequência. Isso quer dizer que a Ressonância Magnética não utiliza radiação ionizante. Equipamentos de Ultrassom também estão livres de radiação. A realização destes exames é segura, inclusive, para pacientes grávidas.

 

A radiação ionizante, por sua vez, é capaz de remover um elétron de um átomo ou molécula. Na medicina diagnóstica, o uso da radiação ionizante se dá no radiodiagnóstico e na medicina nuclear.

 

A medicina nuclear consiste na utilização de fontes radioativas não seladas, para fins diagnósticos ou terapêuticos, ou seja, um material radioativo é administrado ou ingerido pelo paciente.

 

É possível encontrar tanto elementos radioativos terrestres naturais quanto elementos radioativos artificiais fabricados pelo homem. A medicina nuclear avançou significativamente após a década de 1960, com a introdução do Tecnécio-99m na rotina clínica, utilizado na realização de diversos tipos de cintilografia. Desde então, novas tecnologias vêm surgindo na área, como o equipamento híbrido PET/CT.

 

O radioisótopo mais utilizado nos exames de PET é o Flúor-18, produzido em cíclotron e marcado numa molécula de glicose através de um módulo de síntese.

 

Chamamos de radiodiagnóstico o uso dos Raios X para diagnóstico médico. Os Raios X são um tipo de radiação ionizante gerada através de equipamentos elétricos. Eles foram ocasionalmente descobertos por Wilhelm Roentgen, em novembro de 1895, sendo a primeira evidência de que poderiam ter aplicações médicas quando Roentgen produziu uma imagem da mão de sua esposa. Desde então, diversos avanços surgiram na área e, além do equipamento convencional de Raios X, capaz de fazer radiografias simples, temos equipamentos mais complexos e especializados, como a Densitometria Óssea, a Mamografia e a Tomografia Computadorizada.

 

No Brasil, os órgãos que regulamentam o uso da radiação ionizante na medicina são a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear). Estes órgãos fiscalizam de perto a medicina nuclear e o radiodiagnóstico, não permitindo sua aplicação indiscriminadamente.

 

Monitorações e testes de controle de qualidade são realizados periodicamente nos ambientes e equipamentos para garantir a segurança dos pacientes e dos profissionais. Além disso, a quantidade de radiação utilizada é sempre a menor possível, suficiente para gerar imagens de qualidade sem apresentar riscos ao paciente, sempre buscando atender aos padrões internacionais de segurança.

 

 

Paula Duarte Correia – CNEN: FM-0308, ABFM: MN-456/1643
Física Médica especialista em medicina nuclear e radiodiagnóstico da Elo Imagem

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